
O futebol brasileiro vive uma era de receitas cada vez mais altas, com destaque especial para os patrocínios.
Em 2023, a arrecadação comercial dos clubes das Séries A e B alcançou R$1,4 bilhão, parte de um total impressionante de R$11,1 bilhões em receitas gerais, segundo dados da EY.
Grande parte desse montante foi impulsionada pela crescente participação das casas de apostas, que dominam os patrocínios master na elite do futebol nacional.
A supremacia das casas de apostas
Entre os 20 clubes da Série A, 75% dos patrocínios master pertencem ao setor de apostas esportivas.
Esse dado reflete não só o crescimento desse mercado, mas também a forte conexão entre o esporte e o público-alvo dessas empresas.
O segmento se consolidou como o principal investidor nas camisas dos times brasileiros, superando com folga outros setores, como o financeiro, que aparece em 15% dos patrocínios master.
Essa dominância trouxe impactos diretos na economia do futebol.
“As empresas de apostas têm aumentado o poder financeiro das equipes, possibilitando mais investimentos em estrutura, contratações e categorias de base”, explica Ricardo Bianco Rosada, fundador da consultoria brmkt.co.
Além disso, muitos contratos atuais são os maiores da história dos clubes, como é o caso de Flamengo, Corinthians, Bahia, Fortaleza e Juventude.
Os gigantes em números
Os cinco principais clubes do Brasileirão foram responsáveis por 52% da receita comercial em 2023. Flamengo, Palmeiras e Corinthians lideram a arrecadação com patrocínios:
- Flamengo
- Palmeiras
- Corinthians
Além disso, equipes como Bahia e Botafogo apresentaram crescimento significativo, dobrando suas receitas comerciais em relação ao ano anterior.
Marcelo Paz, CEO da SAF do Fortaleza, destacou como o patrocínio master com uma casa de apostas ajudou o clube a se posicionar entre as principais equipes da região.
“Nossa credibilidade nacional nos permitiu fechar um contrato que fortalece tanto as finanças quanto a percepção do clube no mercado”, afirmou.
O caso do Juventude
Outro exemplo notável é o Juventude, que selou um contrato com uma casa de apostas internacional após retornar à Série A.
O vice-presidente de marketing, Bruno Zaballa, destacou a importância da parceria para a consolidação do clube no cenário nacional.
“Esses acordos com grandes marcas fortalecem a equipe dentro e fora de campo, além de serem essenciais para alcançar as metas da temporada.”
O papel do segmento financeiro
Apesar da hegemonia das casas de apostas, o setor financeiro ainda tem um papel importante. Representado por patrocinadores como Crefisa (Palmeiras) e Banrisul (Grêmio e Internacional), ele ocupa 15% do total de patrocínios master.
Esses contratos, além de fortalecerem os clubes, são exemplos de parcerias de longo prazo.
Nelson Pires, vice-presidente de marketing do Internacional, enfatizou a importância do Banrisul:
“Esse patrocínio vai além de uma simples parceria, é uma relação comercial sólida que contribui para a estabilidade financeira do clube.”
A participação da CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também tem aproveitado o crescimento do mercado de apostas. Em 2023, a entidade vendeu os naming rights do Campeonato Brasileiro para uma casa de apostas, o que rendeu R$70 milhões aos cofres da confederação.
Além disso, a CBF mantém contratos com parceiros como a Penalty, que atua como fornecedora oficial de materiais esportivos.
Bruno Martins, coordenador de marketing da Penalty, destacou a importância da parceria: “O Brasileirão é o maior campeonato do país, e estar presente nele reforça nossa conexão com o esporte e com os consumidores.”
O futuro do mercado de patrocínios no futebol brasileiro
Com contratos cada vez mais valiosos, as casas de apostas consolidaram sua presença como as maiores patrocinadoras do futebol brasileiro.
Ao mesmo tempo, segmentos como o financeiro e o esportivo continuam desempenhando papeis importantes no fortalecimento do mercado.
Para os clubes, a diversificação de fontes de receita e a valorização de parcerias comerciais têm sido fundamentais para sustentar o crescimento do futebol no Brasil.
O ano de 2025 promete ser mais um marco nesse cenário, com recordes de arrecadação e investimentos que beneficiam não apenas os clubes, mas o futebol como um todo.